“Para os seus verdadeiros torcedores, o que vale é o caráter superior que inspirou a sua fundação e que está presente na alma de cada banguense.”

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Bangu Atlético Clube - Campeão Carioca em 1966

Aconteceu há 51 anos: Bangu 3 x 0 Flamengo; Após 33 anos o título volta para Bangu.

No livro NÓS É QUE SOMOS BANGUENSES, do importante pesquisador da história do Bangu Atlético Clube, Carlos Molinari, mais precisamente no capítulo dedicado ao ano de 1966, é citado um artigo do jornal A Tribuna, de 19 de dezembro de 1966, com o título “A FESTA DA VITÓRIA”. O texto é aberto com o seguinte parágrafo: “Um, dois, três, se não foge cai de seis" – esse o cântico, misto de alegria e sadismo da população de Bangu, tomou literalmente a Avenida Cônego Vasconcelos, desde a estação de trem até a sede do clube, onde duas orquestras animaram o carnaval da vitória.”. Não me recordo de ter ouvido esse canto da torcida, mas da festa, da expressão de alegria dos banguenses, lembro-me bem e até hoje me delicio com as recordações dos acontecimentos daquele dia. 
Chamada do Jornal Última Hora - Edição Vespertina de 17/12/1966 - 1ª Página
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2886)
No sábado, 17/12/1966, o jornal Última Hora, destacou na 1ª página da sua edição vespertina: "Bangu: Desta Vez Vamos". No domingo, 18/12/1966, o bairro amanheceu colorido; não com as cores típicas do natal, já tão próximo, mas sim com um vibrante branco e vermelho, tradutor do otimismo pulsante em cada coração banguense, tão carentes de um título.

Dia de festa na distante Zona Rural carioca (ainda não havia a denominação “Zona Oeste”). Desde cedo um desfile de moradores vestindo os mais variados modelos de camisas alvi rubras, dos oficiais aos improvisados, pessoas de todas as idades, da mais tenra a mais provecta, indicativo de que a torcida banguense se não cresce exponencialmente, cresce linearmente, na proporção da população local. Os mais jovens assumem, naturalmente, o posto daqueles que partem para outros planos da existência.

“Em Bangu se o clube vence é na certa um feriado, comércio fechado...”, diz os versos da marchinha de Lamartine Babo, oficializada como hino do clube. Não era feriado, mas o comércio fechou. O clube venceria? Venceu! E venceu bem, porque “O Bangu tem também a sua história e sua glória, enchendo seus fãs de alegria...”. Venceu e foi campeão! Que doce combinação de fatos. 
Desde 1933, quando conquistou seu primeiro título, justamente na inauguração do profissionalismo no campeonato carioca (profissionalismo que teve no Bangu um valente determinado defensor), os tradicionais Mulatinhos Rosados amargavam um angustiante jejum de títulos e viviam na incômoda situação de ser um clube de pequena torcida, com pretensões a ser um grande no futebol carioca. 

Não obstante, a tarde daquele domingo se fazia mágica. O forte e abafado calor, característico do fim da primavera, deixava os corações apertados, "a torcida reunida...” ocupa quase quarenta por cento do Maracanã (é claro que “engrossada” por vascaínos, botafoguenses, americanos e tricolores), o time entra em campo com seu tradicional uniforme de camisas listradas com calções e meias brancos, as bandeiras, muitas bandeiras, tremulam e “espoucam foguetes no ar...”.
Fonte: Arquivo de Rogèrio Melo
Depois da tensão dos minutos iniciais, o time alvi rubro iniciou o seu show. Enquanto Ubirajara garantia a invulnerabilidade da sua meta, Cabralzinho, Ocimar, Aladim e Paulo Borges brilhavam no gramado, apoiados por Fidélis, Ladeira, Ari Clemente, Mário Tito, Jaime e Luiz Alberto. A máquina de fazer gols (foram 50 nesse campeonato)começou a funcionar na segunda metade do primeiro tempo; Ocimar aos 23 minutos e Aladim aos 26, construíram o placar da primeira etapa. No segundo tempo, logo aos três minutos, o artilheiro do campeonato – Paulo Borges – marcou o terceiro gol do Bangu. Era o título!


Fotos do jornal Última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966 - 1ª e 2ª páginas
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
A torcida bebeu desse néctar delicioso que emana das vitórias. Gritos de“é campeão”, “está chegando a hora”, “já ganhou”, há muito ausentes na torcida banguense, ressurgiram, de início timidamente para depois explodirem espontâneos e soltos, ecoando em todo o Estádio do Maracanã.
Coluna de Jacinto de Thormes no Jornal última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
 
Coluna de João Saldanha no Jornal última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
Com relação ao lamentável espetáculo proporcionado pelos rubro negros, prefiro ignorá-lo, por não ser compatível com o esporte. A vitória consagrou a brilhante campanha do time comandado pelo argentino Alfredo Gonzáles. Em 18 jogos foram 15 vitórias, 2 empates e apenas 1 derrota. O ataque marcou 50 vezes e a defesa foi sofreu somente 8 gols. O atacante Paulo Borges balançou as redes adversárias 16 vezes, tornando-se o artilheiros da competição. O grande destaque da equipe foi a maturidade, demonstrada no segundo turno (o time terminou o primeiro turno sendo derrotado pelo Flamengo), com um aproveitamento de 100% e a equipe marcando nunca menos de três gols por jogo (foram 22 em 8 jogos). O Bangu cumpriu, nesse campeonato, uma trajetória para não deixar nenhuma dúvida com relação à conquista do título. Chegava ao fim a caminhada; nesse ano a festa seria na Zona Rural, mas todos estavam convidados para comemorar com o Bangu C A M P E Ã O.
Foto do Jornal última Hora - Edição Matutina de 19/12/1966
(http://www.arquivoestado.sp.gov.br/site/acervo/uh_digital/index/2891)
Nesse dia em que recordamos a bela conquista do Bangu Atlético Clube em 1966, cabe uma reflexão, não só para os banguenses, torcedores ou dirigentes, mas para todos os amantes do futebol: É aceitável que um clube com um passado riquíssimo (histórica e sociologicamente falando) como é o do Bangu, vá se consumindo por conta de uma dose muito forte de passividade, acomodação e incompetência? É possível que no mundo moderno, extremamente comercial e consumista, com tantos recursos de mídias, o Bangu Atlético Clube, muito próximo de completar 114 anos (acontecerá daqui a 4 meses), com uma marca potencialmente conhecida, não consiga qualquer tipo de parceria comercial-esportiva que o reconduza ao lugar que sempre ocupou e mereceu ocupar no cenário nacional?

Pensemos, todos sobre isso! 

Fontes: Bangu.NET (o mais completo portal sobre o Bangu Atlético Clube) / Arquivo público do Estado de São Paulo / Arquivo de Rogério Melo / Meus registros pessoais.

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